E o futuro?

Você acha que as coisas não estão tão evoluídas assim e que os filmes de ficção científica são uma loucura? Assista o vídeo no link abaixo:

http://www.olibertario.org/2010/amadureceremos-tecnologicamente-para-vivermos-em-minority-report-valera-a-pena/

Pois é, tudo o que precisamos na palma de nossas mãos, isso pode ser meio assustador, parece que tudo virou informações e até nós podemos ser definidos por dados, compartilhados nas redes sociais, publicamente e com nossa autorização.

fonte:http://migre.me/kkrY3

Com tantas modificações nas ultimas duas décadas, parece estarmos vivendo num filme de ficção científica. Cada vez mais podemos fazer as coisas online, além disso novas tecnologias vem sido estudadas, para substituir partes dos nossos corpos, ou até máquinas controladas com a mente para devolver mobilidade a quem perdeu, como o exoesqueleto que vem sendo estudado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

                Muitos cientistas e artistas, tem usado o termo pós- humano para substituir o termo “pós-moderno” para aqueles que acreditam no avanço tecnológico e as proposições de hibridização entre homem e máquina. Há os que acreditam que a máquina pode vir a tomar consciência e uma nova realidade irá governar o mundo.

Edgar Franco,  artista multimídia,  traz esses novos pensadores, dentre eles Suzete Venturelli & Mario Maciel que acreditam numa “progressiva mecanização e eletrificação do humano paralela à crescente humanização e subjetificação da máquina.” (Franco, Será o pós-humano?- Cibearte & Perspectivas Pós-Biológicas)

Ao mesmo tempo que a tecnologia  cria novos gêneros, a partir dos tradicionais, esses são modificados pelos modelos digitais, e aumenta as possibilidades de discursos, na liberdade encontrada na internet, também se encontra o preconceito como vimos no caso do twitter, novas formas de publicidade, porém novas formas de denúncia.Cresce a tecnologia, mas também cresce as denúncias de desigualdade social, a preocupação com o meio ambiente e atitudes online que podem interferir na “realidade”

Sou da opinião de Hayles, citado por Franco:

“ Meu sonho é uma versão do pós-humano que abrace as possibilidades das tecnologias da informação sem ser seduzida por fantasias de poder ilimitado e imortalidade descorificada; que reconheça e celebre a finitude como uma condição do ser humano, e que entenda a vida humana como embebida em um mundo material de grande complexidade, mundo do qual dependemos para continuar vivendo” (Hayles apud Felinto, 2005:114)

 

Novas formas de denúncia, e também novos meios para propagar discursos preconceituosos.

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fonte:http://delas.ig.com.br/comportamento/2014-06-30/artista-cria-ilustracoes-sobre-preconceitos-cotidianos-que-as-mulheres-sofrem.html

No post anterior, havia falado sobre como as emoções são estudadas, para etender o sucesso na internet, os chamados “ virais”. Falei  como nas redes sociais é fácil fugir da frustração, e como, os sites e os publicitários utilizam a seu favor a necessidade de estarmos sempre conectados.

Nessa mesma matéria, falam sobre o twitter:

Assim, sem causar surpresa, os dados compilados recentemente pelo Chartbeat, uma empresa que mede o tráfego online, sugere que as pessoas postam com frequência artigos pelo Twitter que na verdade não leram.

"O que descobrimos é que não há relação entre a quantidade que o artigo é compartilhado e quantidade de tempo e atenção dedicados ao artigo", disse Tony Haile, o presidente-executivo do Chartbeat.

O twitter, só permite 140 caracteres, por isso, as pessoas abreviam o que dizem, e muitos sites o utilizam na divulgação de links, as pessoas, como vimos anteriormente, querem mostrar que são informadas, e muitas vezes divulgam algo, mesmo não tendo se dedicado à leitura  de forma densa, por isso, as notícias online, são um pouco diferentes das de um jornal, geralmente com mais imagens, e seus leitores podem comentar, o que diferencia completamente de outros tipos de jornal.

Os gêneros digitais são inspirados nos tradicionais, porém em seu funcionamento, vai se modificando de como ele foi idealizado. É o caso do twitter, uma rede para mandar mensagens rápidas, sobre o que está acontecendo, passou a ser usada por artistas divulgando trabalhos e mostrando sua rotina, se aproximando de fãs. Depois do jogo do Brasil onde Neymar se fraturou, choveram mensagens.

Assim como artistas, as pessoas usam o twitter “retuitando” as coisas que elas se identificam, e também falando o que pensam, normalmente, só as pessoas que te seguem podem ver, normalmente estes tem ideias parecidas e te acham “cool”, porém um rapaz, criou um twitter, chamado “minha empregada” onde, pesquisava e retuitava, os tweets em  que essas palavras apareciam. O twitter tem a opção de pesquisa de palavras, onde aparece tudo o que falaram sobre. Resultado: Uma avalanche de frases preconceituosas, que separadas podem ter passado desapercebidas, mas juntas se tornam denúncia contra o racismo. Em 48 horas o perfil conseguiu 2, 6 mil seguidores na rede social.

Veja alguns exemplos nessa notícia: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/05/20/salasocial-perfil-na-internet-satiriza-preconceito-com-empregadas-domesticas.htm.

As vezes a própria rede facilita que algo se torne viral, como o twitter, as pessoas vendo que foram retuitadas podem ter comentado em seu perfil e seus seguidores foram conferir, na página de @minhaempregada, muitas campanhas são lançadas na rede  e se espalham pelo uso da hashtag. As redes sociais tem ajudado na divulgação de lutas sociais, as feministas, por exemplo, criam blogs, divulgam suas ideias de forma mais simples, tem um alcance maior, seus leitores são mulheres que normalmente não militam ou conhecem o movimento , mas vem se conscientizando do machismo na sociedade. Algumas blogueiras até ganharam colunas olines em revistas  de reconhecimento social como a carta capital, http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que  .

O fluxo entre gêneros digitais e tradicionais é intenso,  um gênero criado por engenheiros ganha usos imprevistos.  Surgiu também online, um novo jornalismo, a chamada “Mídia Ninja”, grupo de jovens, divulgando eventos através de seus smartphones e divulgando em várias redes sociais ( Facebook, Tumblr, Twitter), na hora do acontecimento, sem edições posteriores.

A internet é um espaço de liberdade? Sim, porém tudo publicado se torna um registro online, se torna, portanto um documento. No youtube, já tiveram problemas de vídeos sem autorização e outros em forma de piada, como esse https://www.youtube.com/watch?v=GDKMnOiqruE , está humilhando uma pessoa, por que ela fala “errado”. Fica claro que apesar da militância online, dos conhecimentos que podem ser divulgados, muitos ainda são  os preconceitos disseminados e apoiados por grande parte das pessoas , principalmente o preconceito linguístico. Enfim ainda temos muito a avançar, mas mudar os valores de uma cultura, leva um tempo, esperamos que seja menor graças à tecnologia!

As suas emoções se tornaram estatísticas

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Esses dias saiu uma reportagem falando que o facebook estava controlando o conteúdo da sua “timeline”  pesquisando como conteúdos que expressam coisas negativas ou positivas  influenciam nas nossas emoções cotidianas.

A polêmica foi o uso de uma rede social, com perfis pessoais sendo utilizada para pesquisa, porém, pesquisas como essas vem sendo feitas há tempos, como mostra a seguinte reportagem: http://tecnologia.uol.com.br/noticias/nyt/2014/05/21/o-que-faz-um-video-se-tornar-viral-na-internet.htm , pesquisadores do The New  Yourk Times, fizeram levantamento das notícias que eram enviadas nos e-mails, as notícias boas eram mais compartilhadas. O controle das nossas emoções ajuda para o sucesso de uma notícia, o quanto será compartilhada, mas principalmente, contribui para o mercado publicitário .

"Compartilhar não é apenas a forma como a informação se espalha pelas comunidades; também é como as emoções são disseminadas. Recentemente, analistas do Facebook, Yale e da Universidade da Califórnia, em San Diego, revisaram mais de 1 bilhão de postagens por usuários do Facebook, e descobriram que, quando usuários expressavam sua frustração com um dia chuvoso, seus amigos em outras cidades postavam atualizações negativas com mais frequência que o normal." (O que faz um vídeo se tornar viral na internet)

Um vídeo simplesmente triste pode não gerar tantos compartilhamentos entretanto,  algo trágico, porém, com uma  superação gerará mais.

Os pessimistas anunciam muitas mortes, dentre elas a do discurso, mas este só vem sendo diversificado. As relações interpessoais não deixaram de existir, mas fugir das frustrações se tornou mais simples: Brigou com um amigo no facebook? É só desfazer a amizade. Quer ser popular? Basta compartilhar coisas interessantes e monte sua identidade virtual, problematizarei esta questão logo mais . No seguinte vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=LcHTeDNIarU                  ,  o sociólogo Bauman, afirma que neste mundo online, a principal ferramenta é poder se desligar quando quer. Isso talvez dificulte que  as pessoas encararem situações de frustrações no “face-a-face”

Piérre Levy em uma conferência online(https://www.youtube.com/watch?v=sMyokl6YJ5U) , fala que ” O mundo digital, faz parte da realidade. O que é virtual,  o que não é físico, o que é imaterial, é a significação. O mundo virtual começa com a linguagem e não com os computadores….Os computadores manipulam os signos da linguagem.”

Irene Machado explica exemplificando o que é o virtual no computador:

" Na cultura das mídias eletrônico-visuais, há inter-relação de todas as linguagens através de uma única mediação: a digitalização. Nela palavra, som, imagem, movimento em diferentes espaços  são traduzidos pelo sistema numérico.” (Machado, Revista Educação e Tecnologia pg. 120).

A linguagem digital vem se desenvolvendo e possibilitando cada vez mais novas linguagens, que possibilitarão novas formas de identificação e consequentemente mudanças novas formas de interação e novos meios de manipulação de emoções.